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Next Play » Games » PC Games » Matéria » Autor: Guerrino
Dark Messiah: RPG action pela EA

Ubisoft tenta, mas não consegue fazer de seu jogo um novo Messias

 

O engine Source funcionou muito bem em Half-Life 2, mas parece que todos os demais jogos nos quais é utilizado compartilham de um destino bem menos virtuoso: o de tornarem-se verdadeiros depósitos de bugs. Foi assim com Vampire: The Masquerade - Bloodlines e também com SIN Episodes: Emergence. E essa maldição parece ter pego Dark Messiah of Might and Magic, da Arkane Studios/Ubisoft, na mesma proporção. É um título que, para começo de conversa, não se contenta com pouco! Por isso, se você se decidir por ele, já vá quebrando o cofrinho para aumentar a memória da sua máquina (talvez o máximo que seu computador suporta não seja o suficiente!) e comprar uma nova placa gráfica - Radeon série 1900 ou GeForce 7X/8X . Mas se você quiser bancar o teimoso, achando que o que você tem "dá para o gasto", prepare-se para uma sucessão de loadings intermináveis e falhas de sistema! É recomendado que se baixe um patch disponibilizado pela Arkane Studios para corrigir alguns dos problemas mais graves. Poderia ser um jogão, não fossem os inconvenientes bugs.   

 

 

 

 

Bem-vindo a um mundo medieval/fantástico

 

Passada a tempestade de desmotivação técnica, vamos ao jogo: você é Sareth, um órfão aprendiz do feiticeiro Phenrig. Inicialmente é fornecido um tutorial que ensina o jogador a interagir com o ambiente virtual, aprendidas as técnicas de manejo de espada, escaladas usando cordas e demais proficiências necessárias a um aventureiro padrão, Sareth sai em busca de um artefato, o Skull of Shadows, que deve ser devolvido ao feiticeiro Menelag, amigo de seu mestre. O detalhe é que na partida, uma espécie de consciência guardiã chamada Xana segue junto com o jovem - ela age como uma conselheira psíquica que dá dicas sobre o que Sareth deve fazer para alcançar seus objetivos. Em breve, Sareth descobrirá que Dark Messiah é uma profecia do mal com a qual ele precisa lutar. DM traz algumas passagens em computação gráfica muito bacanas, mas é realmente uma pena que não consegue manter o ritmo, pois entrega muito da trama logo no início da jornada - que sem dúvida é o seu melhor momento. 

 

 

RPG ou action game?

 

Esse exemplar da série - que teve início em 1986 e rendeu jogos para inúmeras plataformas -, foge aos mecanismos clássicos de um role-playing game eletrônico, o que faz de Dark Messiah um título de ação em primeira pessoa. Talvez seja por causa dessa inconsistência de storyline que ele não decole como deveria, pois com o tempo o ato de dar espadadas nos inimigos fica muito repetitivo - e não consegue passar disso com freqüência, o que é um problema quando uma produtora quer que seu jogo pertença ao gênero dos RPGs.  A valorização da figura humana através do engine Source é sentida: a movimentação dos NPCs é realista, da mesma maneira que suas expressões e gestos convencem até o mais crédulo dos jogadores. Basta olhar para Leanna, sobrinha de Menelag que passa a acompanhar Sareth. Se os produtores tivessem dedicado o mesmo esforço que impuseram na criação dos personagens, para a concepção dos níveis que Sareth precisa percorrer para realizar suas missões, a história de Dark Messiah poderia ser bem outra, e esta seria a do sucesso. Por não terem verificado isso, o que temos é uma mudança brusca de ambientes, já que alguns são maravilhosos, enquanto uma parcela destes parece mal-resolvida gráfica e criativamente, caindo no lugar-comum.

   

 

Evolução do personagem

 

É possível, claro, desenvolver seu personagem para níveis mais altos. Essa caminhada evolucionária acontece resolvendo-se pequenas tarefas indicadas pelo jogo. Uma vez que pontos são ganhos, o jogador pode escolher aumentar suas habilidades conforme achar mais interessante. Algumas dessas tarefas serão repetidas à exaustão por Xana, que não vai parar de repetir o que você tem que fazer até que você, de fato, faça! Dark Messiah of Might and Magic também dispõe de um modo multiplayer online, pelo qual os gamers optam qual de cinco classes de personagem seguir: Mago, Cavaleiro, Assassino, Arqueiro e Sacerdotisa. Pode não parecer muita coisa em termos de inovação, mas é bem melhor do que 32 jogadores (que são suportados pelo game) se aventurarem com o mesmo Shareth que nós conhecemos. Por enquanto temos cinco mapas, que podem ser explorados via modos Deathmatch e Team Deathmatch, por exemplo.                             

 

 

     

 

 

Combates: o antídoto  

 

Se existe algo que podemos classificar como o melhor de Dark Messiah, justiça seja feita: são os combates. O engraçado é que o sistema de luta é bem simples, motivo de sobra para ser funcional. Cruzamos com uma variedade incrível de armamentos em DM, de arco e flecha a espadas, bastões, machados, clavas, facas e punhais - todas essas coisas de herói macho pra valer mesmo! Apesar de ser uma diversão só atirar flechas nos inimigos, é nos  conflitos corpo-a-corpo que se faz verão em Dark Messiah. As brigas em bandos, quando o personagem é cercado por vários oponentes de uma vez, sendo obrigado a dar pontapés para afastar a multidão e voltar a atacar com a espada, são de um entretenimento só! O lance é ficar muito atento aos danos infligidos aos nossos armamentos, porque com o tempo eles podem se despedaçar. Sucessivos golpes bem dados podem convergir em um ataque mortal ao qual dificilmente um monstro, humano ou qualquer raça conseguirá sobreviver. Os ataques mágicos baseados em fireballs e outras interferências místicas costumam render bons frutos. De falta de inimigos é que não podemos reclamar: cíclopes, goblins, aranhas, seres alados e demais criaturas fantásticas originárias dos livros de role-playing games.

 

 

Você poderá prever o futuro

  

O que realmente Dark Messiah fica devendo em essência são subquests. Sem elas, o progresso fica linear e soa terrivelmente artificial. Em algumas situações, é como se o tal messias do título profetizasse onde estão os inimigos e todos os perigos inerentes aos cenários. E essa brincadeira tira um bocado da vontade de continuar se aventurando, afinal é complicado ler um livro cujo final você conhece de cor e salteado.

  


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